BLOG • NOS TRILHOS

Embarque nessa viagem!

ELE SE IMPÕE NO CENÁRIO

Projeto bilionário para a Copa do Mundo de 2014, o Maracanã enche os olhos de qualquer morador ou visitante que passa por perto ou que vive na região.

VIDEO • "A MINHA VIDA É VENDER NO TREM"

XXO Blog Nos Trilhos acompanhou a movimentação dos ambulantes nos vagões e plataformas de trem.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

MINI RAMPA VIRA PONTO DE ENCONTRO

MÉIER

Quem já passou as quartas-feiras pela mini rampa de skate do Méier, localizada próxima ao viaduto, certamente já se perguntou que aglomeração de jovens é aquela. É que durante as noites de quarta, a pista se transforma num ponto de encontro para troca de experiências culturais. Skatistas, músicos, produtores e várias outras pessoas de diferentes tribos promovem a roda cultural do Méier. A ideia é difundir a mobilização e arte independente.O movimento surgiu com a galera do rap, que se reunia para fazer as batalhas de rima, a curiosidade e interesse das pessoas foi tão grande que o projeto teve que se expandir e tornou-se um lugar onde informação e entretenimento são gratuito.
Todas as quartas-feiras, a partir das 20h30
Local: Esquina da Rua Silva Rabelo com a Rua Medina, perto do terminal de ônibus e estação de trem do Méier (na “Mini Ramp”)  

quarta-feira, 3 de julho de 2013

PREFEITURA PROMETE CICLOVIAS

ZONA NORTE •

Sucesso por toda a Zona Sul da cidade as ciclovias não são uma realidade de quem vive na Zona Norte. Esta história pode mudar. Há um projeto da Prefeitura para que uma ligação entre o Maracanã e o Engenhão saia do papel a partir do segundo semestre deste ano. As informações são da Secretaria de Meio Ambiente.

Segundo dados da prefeitura,  a Zona Norte é a região com mais carências quando o assunto é ciclovia. Ele afirma que o panorama vai mudar a partir de 2013. “Neste momento, não há como fazer grandes mudanças, por causa da infra-estrutura. Mas, de 2013 a 2016, estão previstos 150 quilômetros novos de ciclovias, a maioria na Zona Norte”, diz o subsecretário Altamirando de Moraes, em entrevista por telefone.

De acordo com Moraes, as novas vias seriam sobretudo com grandes intervenções urbanas, como a Transcarioca e a Transolímpica. Há ainda projetos de integração de pistas para as bicicletas com a Avenida Brasil e com estações do Metrô na Tijuca.

“Além dessas, temos a ciclovia que será executada no Parque Leopoldina, no Complexo do Alemão, Fazendinha e ligações cicloviárias com o Parque Madureira, que já tem ciclovia em seu interior. No Programa Morar Carioca, estamos estudando projetos para o uso da bicicleta como meio de transporte para o morador de favelas”, diz.

Diego Santos
jornalismoccaa@gmail.com

terça-feira, 2 de julho de 2013

"A MINHA VIDA E VENDER NO TREM"


        



       O Blog Nos Trilhos acompanhou a movimentação dos ambulantes nos vagões e plataformas de trem.   A reportagem mostra  que os tão famosos bordões estão, aos poucos, desaparecendo. Alguns ainda resistem e é o caso de Fernanda Paes que trabalha há seis anos na estação de São Cristóvão.





Vinícius Novais
Carla Cunha
Diego Santos
Samanta Mariano
jornalismoccaa@gmail.com

quarta-feira, 26 de junho de 2013

É HORA DE PULAR FOGUEIRA E ALEGRAR O CORAÇÃO

FEIRA DE SÃO CRISTÓVÃO •
 
Nesta noite de festança / todos caem na dança/ alegrando o coração. / Foguetes, cantos e troca na cidade e na roça / em louvor a São João. No clima da música Pula Fogueira de João B. Filho a temporada de festas juninas está aberta. Tire o xadrez do armário, coloque sua saia ou um vestido mais rodado e colorido, procure seu par para pular fogueira e se divirta!

 A Feira de São Cristóvão recebe o evento “São João da Feira” tradicional festa nordestina. Nessa festa temos culto às crenças, superstições, danças, festivais, músicas, brincadeiras, quadrilhas, fogueiras, pau-de-sebo e muito mais. As comidas são um show a parte, sem sair do Rio de Janeiro, a gastronomia popular pode ser apreciada, com direito a pamonha, canjica, bolos de milho e de macaxeira, pé-de-moleque e quentão. 

 Festa sem música não é festa, por isso, o evento vai apresenta shows, casamento caipira, forró, brincadeiras e muito mais. Quem entrou na dança foi Elizete Pires, de 53 anos, ao som de Forró Balança. Com uma animação que poucos tem, a dona de casa conta sua paixão por festas de São João: “É um clima único, uma festa linda e muito animada. O melhor de tudo é poder no Rio curtir a tradição da minha terra”, diz. 

 E os homens não ficam de fora dessa. Com 67 anos, José Silva chega à festa cheio de disposição. “Hoje é dia de se divertir e muito. Não Possi perder tempo, vou encontrar logo o meu par para dançar”, brinca ele. A programação da feira se estende até dia 31 de julho (de terça a quinta, das 10h às 18h. Sexta, das 10h até às 21h de domingo). A entrada custa R$3.

Isabelle Rosa 
 isabellerosaf@gmail.com

MÉIER COMEMORA 124 ANOS

Bairro agrega lazer e vasto comércio que agradam moradores

 Um dos bairros mais famoso da Zona Norte, o Méier celebra mais um ano de existência. A comemoração, que é feita anualmente, este ano contou com a apresentação do cantor Eduardo Canto, num show gratuito realizado no Imperator – Centro Cultural João Nogueira. A data de surgimento do Méier está ligada diretamente à dos trens. O aniversário da sua estação ferroviária é utilizado como data de fundação do bairro, em 13 de maio de 1889.
 Sendo um dos bairros mais tradicionais da Zona Norte, o Méier cresceu tanto que bairros vizinhos como Lins, Engenho Novo, Engenho de Dentro, Cachambi e alguns outros, incorporaram a ele e hoje fazem parte do que chamamos de Grande Méier. Moradores em geral tem orgulho do bairro que abriga o primeiro shopping center construído no Brasil. 

O centro de lazer fica localizado na Dias Da Cruz, rua mais famosa do bairro. Aos domingos e feriados a rua é fechada para o lazer e muito moradores saiem de suas casas para fazerem a habitual caminhada e levar suas crianças para passear e se divertir, pois nestes dias especiais, a rua recebe atrações voltadas para criança. “O Méier é uma família. Adoro esse lugar”, diz Manoel Cavaleira, morador do bairro há 34 anos. Ao caminhar pelas ruas do bairro é possível perceber a admiração que seus moradores possuem pelo local. Comerciantes também são bastante gratos à economia do local. “Aqui é um bom lugar pra trabalhar. É tranqüilo e vendemos bem”, alega Sr. Edagar, dono de um armarinho. 

 A cada ano que passa a prefeitura do Rio organiza um evento na data do aniversário para nunca passar em branco. Por lá já passaram diversas atrações como Rodriguinho, Naldo, Molejo, Bateria da Vila Isabel, Swing e Simpatia, entre outros. Em dia de festas, ruas ao redor da praça são fechadas e os moradores e convidados curtem em clima de festa. A verdade é que o Méier é um bairro muito representativo para o Rio e é também desejo de muitos, morar por lá.


Vinye Novais
 vinye9@hotmail.com

DANÇANDO MUNDO A FORA

No eixo Maracanã, Méier surge a campeã de Pole dance do Brasil

Ela nasceu no dia 12 de Agosto em 1991 e hoje é a mais nova campeã de Pole Dance do Brasil. Dona de uma cinturinha fina e um abdome de dar inveja a muitos halterofilistas, essa leonina morou por muito tempo em Jacarepaguá, mas frequentou o bairro do Méier por causa da avó materna.
No meio desse caminho, entre o Méier e a Freguesia, em Jacarepaguá, já com 18 anos, em um teste de dança, conheceu Flávia Rodrigues, proprietária do Estúdio de Pole Dance que acabara de ser inaugurado no bairro onde mora a avó. “Deus colocou no meu caminho mais um presente ligado a minha arte. Hoje a Flávia é minha treinadora e grande amiga”.

Na primeira aula, a professora disse que a espevitada menina, que começou a dançar ballet ainda aos 3 anos, o quanto ela era forte. Após cinco meses, já estava participando do primeiro campeonato brasileiro, na categoria amadora, é claro. “Fiquei em segundo lugar. Me lembro  desse dia como se fosse ontem. Foi uma conquista maravilhosa!” Assim que cresceu um pouquinho, foi fazer Jazz e, aos 10 anos, era uma apaixonada pela dança e aos 13 dançava todos os dias Ballet Clássico e dança Contemporânea. “Quando se é criancinha, não há um diferencial na aula, mas, a partir de certa idade,  sim.”

Não haviam sextas-feiras na casa de amigas, o que, às vezes, era chato, cansativo, mas ela nunca imaginava viver sem toda essa correria. Os sábados de ensaio eram dias exaustivos, mas quando a dançarina se deu conta, estava há dezoito anos em uma mesma escola de dança. “Foi assim a infância e a adolescência toda, eu tinha ensaios e responsabilidades e ainda era muito agitada!” Essa longa estrada de aprendizado transformou a aluna em professora. “Dei minhas primeiras aulas de Baby Class, para meninas que entraram com a mesma idade que eu e, depois disso, meu amor pela dança foi somado ao meu amor à dança...”

                                                                                                                           Foto do arquivo da perfilada

Maria Eduarda Vieira Aurélio adora a liderança, o brilho, a exposição, além de se dizer também sensível e necessitada de carinho. “Até a falta de um "bom dia" pode me deixar para baixo”. Adora a cor azul e mede 1,58cm. “Sou uma baixinha muito brava e atrevida”. A filha caçula de Denise Rodrigues Vieira e Hamilton Aurélio estudou no Maternal Tagarela, depois cursou o primário até a terceira série no colégio Primus, ambos na Freguesia/Jacarepaguá. A quarta série, o ginásio e os dois primeiros anos do segundo grau, fez na escola Luiz de Camões, de onde saiu para finalizar o terceiro ano no Intellectus.


                                                                                                            Foto de arquivo da Fatale

Na época do vestibular, Denise, mãe de Eduarda, se preocupou um pouco mais ao ver a dedicação da filha, que sempre foi maior com o trabalho, às aulas de ballet e à dança. “Ela queria que eu focasse mais com a prova dessa vez”. Mas isso não aconteceu. Pelo contrário. Com 17 anos, Maria Eduarda passou a ser chamada de Duda. Ela começou a fazer shows, um novo lado da dança que não conhecia, e ficou encantada. “Eu consegui levar tudo numa boa”. Duda passou para Educação Física na UERJ e ainda se apresentou no espetáculo de fim de ano da antiga academia, a Rhitmus.

Duda era ativa, parecia estar ligada em 220 volts. Fazia shows no fim de semana com um grupo só de cantoras, as Dolls, como eram conhecidas. A dançarina dava aulas de ballet para crianças, cursava a faculdade e enveredava pelos campeonatos de Pole dance - uma atividade que luta com auxílio dos estudantes de Educação Física na tentativa de se tornar então uma modalidade esportiva. Existem campeonatos em todos estados brasileiros e apresentações, mas ainda é tudo muito novo, e seus praticantes estão formulando as regras para que, desta forma, essa atividade se transforme em Esporte Olímpico.

Duda era realmente muito aplicada e por isso recebia muitos convites inusitados. E assim, como num passe de mágica, a vida outra vez tornou a lhe surpreender. A dançarina em 2011, de uma hora para outra, passou a fazer shows com o cantor Daddy kall, que estourou com a versão kuduro em uma novela da Rede Globo. “Foi um ano incrível, apresentações ao lado de Daddy, a dança, o Pole dance, tudo parecia não ter fim! “Adoro as novidades e surpresinhas que a vida me aponta, eu adoraria ver mais pessoas fazendo pole dance, pois este é uma atividade voltada não só para atletas. Qualquer um pode participar mulheres e homens de todas as idades. Inclusive: gordinhas e gordinhos, que é a duvida maior, mas é claro precisam respeitar seus limites”! No fim de 2012, depois de um ano, os shows acabaram e a menina voltou para faculdade.
  
                                                                                                                                             Foto: João Carlos

Os tempos agora eram outros. Duda era muita ativa e, com o fim dos shows, retornou para as aulas de pole dance com Flávia, a proprietária do Studio Pole dance no Méier. No ano de 2011, acabou concorrendo pela academia no World Cup of Pole Dance, o campeonato dos apaixonados pela atividade do Pole dance e foi consagrada como Campeã Brasileira. O título obrigou a competidora a mudar seu nome, pois já existia outra ‘Duda’ na competição. Se fosse pela vontade da mãe dela, seria Duh Vieira, mas a professora interveio e, ao pé do ouvido, disse ser melhor Dudinha. “Meus paizinhos sempre me apoiaram e me chamam de Duh desde pequena, mas esse não era o maior dos meus problemas. Difícil foi contornar os ciúmes e o preconceito do meu namorado”.

                                                                                                                Foto de Denise Vieira

Não eram somente os pais de Dudinha que tinham formas carinhosas de chamar a filha caçula. Ela contou que teve três namorados e, um deles, cujo nome não quis revelar, copiava a forma que os familiares a tratavam. Dudinha disse que começou namorar aos 15 anos e só teve ótimos companheiros. Todos em cada fase da vida dela foram muito amigos e compreensivos com seu trabalho. “Acho que o último foi o mais enciumado, (risos), até consigo entende-lo perfeitamente! Sei que estou em exposição, o palco e as pessoas em volta assustam um pouco, mas o que sempre disse e repito é que minha postura e conduta são corretas, não precisa de ciúmes...”

Denise disse que os caminhos foram se diversificando para a filha, coniventes com suas vontades tão ecléticas. “Dudinha é uma artista que fala com o corpo. Não bastasse dançar, resolveu aprimorar-se na arte de enroscar-se em bastões.” O irmão Lucas fica bobo de ver a força que é preciso ter. “Quando fazíamos capoeira, ela não plantava bananeiras por causa da força que era preciso fazer, agora se pendura de cabeça para baixo, ela é muito louca e linda!”. Dudinha foi convidada para desfilar no carnaval de 2013, na escola Império Serrano, no carro abre alas, por tamanha ousadia nas alturas por um amigo da família. “A escola ficou em quarto se eu não me engano. Fiquei apaixonada por desfilar!”

                                                                                                                            Foto arquivo do jornal Extra

E mais uma magia surge na vida da dançarina, professora e carnavalesca Dudinha. Desta vez, foi chamada para fazer uma maratona de shows no Barra Music, com o cantor Naldo. “Mal sabia que eu viraria parte do show e seria bailarina dele”. Foi no fim de outubro que tudo começou, diferente de tudo que ela já havia feito: shows e mais shows, palcos em todos os lugares do Brasil, pessoas diferentes, carinhos, uma energia incrível. “Entramos em turnê e desde março viajamos praticamente o mês todo. Tem sido cansativo e ao mesmo tempo único”.

                                                                                                                Foto de Denise Vieira

Hoje, Dudinha trancou a faculdade e não tem competido no pole dance. “Com a turnê, realmente não pude continuar a frequentar nem mesmo dar as aulas. Mas isso é momentâneo. E eu escolhi viver isso. Bate muita saudade, mas vale a pena.” Ela ama muito o trabalho, todos eles, e reconhece o sacrifício que precisa fazer. “Nunca comi bem, minha mãe diz que Deus é muito bom comigo, pois tenho uma resistência de ferro. Viajo, ensaio, ensaio novamente e mais outra vez e sempre com uma alimentação péssima(risos)!”. Ela participou de dois campeonatos de Pole depois do primeiro, em 2011 e 2012, mas neste último teve uma ‘queda’ e foi ‘desclassificada’. “No dia do campeonato eu estava muitíssimo abalada e, por vários motivos pessoais, deixei minha energia acabar”.

Denise brinca e diz que agora a dança levou a filha para as estradas, para os ares e por onde houver caminhos. “É certo que meu coração se desassossega a cada partida, mas quando vejo o quanto é vital pra ela estar num palco, se comunicando por meio do que mais ama fazer. Eu me recolho à humilde posição de espectadora e mãe”. Já o pai não brinca e tem receios atrelados ao zelo e sempre manda mensagens via celular. “Num país como o nosso, em que a cultura e a arte são desvalorizadíssimos, viver de dança é um tanto utópico. São pouquíssimos os profissionais que conseguem sobreviver de forma digna e segura e eu torço do fundo do meu coração que minha Maria Eduarda seja um deles”.


Na visão da mãe, Eduarda tinha que ser Maria. “Um pouco de santidade não lhe faria mal”. A menina era danada já dentro da barriga. “Aos cinco meses de gestação, ela já estava mais do que aflita para descer, ou melhor, subir ao palco da vida”. Dudinha era elétrica, incansável e muito exibida, na visão de seu pai. “Ela era impossível! Ficava difícil aplacar tanta energia e excesso de vitalidade diante de seus largos sorrisos”. Ainda no maternal, a mãe dela foi chamada à escola várias vezes. A psicóloga e a diretora solicitaram sua ajuda e pediram-lhe que colocassem a menina numa atividade física qualquer, pois não havia o que a saciasse. “Minha filha não se concentrava, nem deixava os colegas resolverem suas questões sem seus palpites, opinava sobre o que era e o que não estava na alçada dela, enfim: ela cansava a beleza de todos!”

Dudinha demonstra durante toda entrevista, várias expressões no rosto de pura emoção. “Não passo um dia sem fazer o que mais amo. Como dizem lá em casa, eu já queria e seria alguém muito, extremamente agitada, quiçá famosa. Sei que esses shows que estão acontecendo agora podem passar rápido, eu tenho a cabeça no lugar, mas estou vivendo intensamente e aproveitando cada momento”. Dudinha garante que ainda dá muitas pitacas na vida dos que ama e manda um recado para os colegas de faculdade. “Quando eu retomar à faculdade, terei muita aventura para falar, contar, enfim: vou cansar a beleza dos que amo!” A dançarina, campeã de Pole Dance, aluna e professora de ballet, amiga e filha, garante que a diretora e a psicopedagoga tinham razão e agradece muito a intervenção delas junto à mãe. “Dançando estou em plena atividade – em movimento total”. Na visão da professora de dança Flávia, das colegas de palco, dos cantores Daddy kall e Naldo e de suas pequeninas alunas, quando Dudinha Vieira está em plena atividade, quem deveria agradecer mesmo era a dança.

                                                                                                                                      Foto de Denise Vieira

Marcelo Zaly
mzaly3@gmail.com

MERCADO IMOBILIÁRIO ESTÁ COM TUDO NO MÉIER

 Com bastante infraestrutura, o Méier é um ótimo local para se morar. O bairro vive uma fase de valorização imobiliária. De acordo com dados da Ademi-RJ (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário), de 2009 até o abril desse ano, o Méier já recebeu 1.183 lançamentos residenciais e o metro quadrado dos apartamentos de um e três quartos valorizou cerca de 16,9%. 

 Isso significa que muitos querem morar no bairro e os moradores antigos não saem de lá por nada. Mas esses buscam mais conforto e por isso querem imóveis mais modernos e investem mais na reforma da casa. No 9º Feirão da Caixa da Casa Própria que aconteceu entre os dias 17 a 19 de maio, o evento ofereceu 31.820 imóveis, em todo o estado do Rio, e 45 construtoras e 42 imobiliárias, receberam mais de 60 mil visitantes. Os valores dos imóveis variam entre R$ 85 mil e R$ 1,9 milhão, e entre os locais de venda dos imóveis, estava o Méier. 

 Na Renascença Administradora, os imóveis do Méier para alugar aumentaram 15% no último ano. O preço do aluguel custa cerca de R$1.200 à R$1.400. Para Luan Silva, morador do bairro há três anos o preço dos aluguéis dispararam. “Eu pago R$1.200 para morar aqui e minha casa nem é grande coisa, dois quartos, sala, banheiro e cozinha. Está caro de se morar!”, desabafa. Por outro lado, quem já tem sua casa passa a investir nas reformas e quem lucra com isso são os donos de materiais de construção. João Oliveira, vendedor de uma loja de construção afirma que p lucro é certo para o dono do estabelecimento. “Para sair do aluguel ou até mesmo valorizar a casa pessoas preferem fazer uma reforma e até mesmo construir um lar, o que gera um lucro certo para o dono da loja”, afirma.

Isabelle Rosa 
 isabellerosaf@gmail.com

O "MARACA" É NOVO E O TORCEDOR TAMBÉM

Arrumado, sofisticado e não menos majestoso, o estádio Mário Filho muda os ares. 
O torcedor do radinho dá vez à turma do Ipod

O novo Maracanã tem cara de casa de show

Garrincha, Zico, Roberto Dinamite, Romário, Bebeto... A lista é gigantesca e não para por aí. Craques do passado e do presente desfilaram e continuarão desfilando suas habilidades em um dos maiores templos do futebol. O estádio que já foi o maior do mundo e recebeu mais de 200 mil pessoas em um jogo virou arena. As arquibancadas de concreto foram substituídas por confortáveis cadeiras numeradas. O charme deu lugar a tecnologia e uma nova forma de torcer deixou os "geraldinos" para o passado. O Maracanã foi ao salão de beleza e voltou de lá com outros ares. Rejuvenescido, moderno e seletivo. O Maraca é nosso! Será?

 

Caras novas: não se fazem mais torcedores como antigamente.


Depois de dois anos  e oito meses de obra e de gastos altíssimos, o novo templo do futebol reabriu distante do seu maior amigo: o torcedor. O estádio foi todo modificado internamente e suas entradas foram divididas em quatro setores: Norte, Sul, Leste e Oeste. Mas as mudanças não ficaram só por aí. Aquelas figuras tradicionais que frequentavam a arquibancada e a geral ficaram de fora. A promessa é de que as torcidas organizadas também sofram com a mesma mudança. "Nem ficar em pé pode mais. O torcedor brasileiro não é como o europeu. Até os instrumentos musicais foram proibidos", revela Felipe Morete, vascaíno e vizinho do estádio.

Entre os muitos torcedores que chegavam ao Marcanã no último jogo pela Copa das Confederações, um grupo de amigos se destacava pela cantoria. Com camisas dos principais clubes do Rio, eles "destoavam" da maioria. O que seria comum nos grandes clássicos passou a ser percebido diferente. "Não se trata de ser saudosista, mas o Maracanã parece um teatro. Se calhar, nem xingar mais o juíz será permitido", brinca Morete, analista de sistemas.
No grupo, outros compartilhavam da mesma opinião. Segundo eles há uma grande diferença cultural entre o brasileiro e os outros torcedores pelo mundo. Para eles o futebol aqui é compreendido de uma forma diferente. A rivalidade é muito maior. "Eu imagino um jogo entre Vasco e Flamengo em uma final de campeonato. Se o juíz marcar um pênalti aos 45 do segundo tempo para um dos times, a torcida adversária invade o campo. Com certeza", profetiza Fernando Medina, gerente de RH.



A preocupação não fica só no novo novo comportamento. O preço do ingresso também provoca desconfiança. "a gente sabe que o valor para a Copa das Confederações e para a Copa do Mundo são outros, mas para segurar toda essa estrutura, eles vão aumentar a entrada. Vir ao estádio vai ser programa da elite", afirma Leonardo Moraes, publicitário. "Eu só estou aqui porque ganhei a entrada, caso contrário", finaliza. Só o tempo dirá.




O povão com os dias contados. 
Torcedores temem mudanças pela mudança de padrão do estádio.


Alex Calheiros
alexcalheiross@gmail.com

"OS CICLOMÁTICOS" LEVAM CULTURA PARA A ZONA NORTE

Com um estilo diversificado, 14 peças montadas, mais de 200 prêmios e três participações em festivais internacionais, à companhia de teatro “Os Ciclomáticos” é fruto da Zona Norte. Dos doze integrantes, nove são de lá, e os outros 3 são moradores da  Baixada Fluminense.

A Companhia desenvolve uma linguagem própria, através de peças teatrais inspiradas e revisitadas de autores famosos como: Federico Garcia Lorca, Sófocles, Nelson Rodrigues, Jorge Amado e outros. Eles apostam na encenação e escrita mais atual e na individualidade de cada integrante do grupo. Desde o ano passado, a companhia administra o Teatro Ziembinski, que fica na Tijuca, com o projeto de residência artística “Os Ciclomáticos - História e Vivência Cênica”, que oferece espetáculos, cursos e atividades de artes em geral.

 Há 17 anos esse grupo leva cultura para um bairro que até então não tinha muita cultura. E é importante ressaltar que até 2006 as peças eram custeadas, até então, por eles. De lá pra cá eles investiram mais em editais públicos aproveitando a boa fase do setor. E o resultado foi gratificante, ganharam 15 dos mais de 40 que concorreram, o que gerou um contrato de residência artística por um ano no Teatro Ziembinski, na Tijuca, que administram hoje.

De acordo com Ribamar Ribeiro, diretor da Cia, é através dos editais públicos que são feitas oficinas de teatro. Engajados politicamente eles não tem nenhum tipo de patrocínio fixo, por isso optam por receber essa verba pública e reverter para a sociedade e as oficinas são exemplos disso. E para quem tem vontade de fazer teatro fique atento, porque esse mês começam as inscrições para uma oficina na Tijuca e já em agosto serão feitas as seleções. Mas nem todas as companhias são assim, a escola do Wolf Maia, por exemplo, é bem cara e tem patrocínio fixo. Isso é o que distingue a população da “periferia” a ter acesso à cultura. Em relação ao assunto, Ribamar é objetivo em sua resposta: “o nosso curso não é pra formar estrelas e sim artistas”, disse.

Esses artistas estão sendo formados, e com a quantidade de prêmio que já receberam, a escola de teatro tem alunos de todos os lugares do país. “Esse preconceito de aprender em lugares mais humildes, acabou!”, afirma Ribamar. O mesmo acontece com o público que vai assistir ao espetáculo. “Vem gente de todos os lugares assistir à gente, Zona Norte, Baixada Fluminense,...”, revela o diretor da Cia. Pra quem fica curioso para saber como são os ensaios, Ribamar explica: “A gente passa sábados e domingos da parte da manhã até às 21h ensaiando. Temos uma agenda paralela às oficinas. Eu, por exemplo, dou aulas no Sesc e no teatro Miguel Falabela”.


O resultado de tanto treino pode ser conferido esse mês no Teatro Ziembinaki. Os ciclomáticos estão apresentando o musical “Casa Grande e Senzala - Manifesto Musical Brasileiro”. Para os interessados o musical fica em cartaz até o dia 30 de junho e é apresentado sextas e sábados às 20h e aos domingos às 19h. O ingresso custa 10,00 (inteira) - 5,00 (meia). E só para ressaltar, paralelo ao trabalho artístico, os Ciclomáticos tem um projeto social chamado Os Ciclomáticos DNA, com jovens da periferia carioca. 

Isabelle Rosa 
isabellerosaf@gmail.com

PELOS TRILHOS DA ESTAÇÃO SÃO FRANCISCO XAVIER


Localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro, a estação de São Francisco Xavier foi aberta em 1861, e fica situada entre a abandonada estação do Rocha e a estação da Mangueira. Primeira linha a ser construída pela E. F. Dom Pedro II, que a partir de 1889 passou a se chamar E. F. Central do Brasil, era a espinha dorsal de todo o seu sistema. 

O primeiro trecho foi entregue em 1858, da estação Dom Pedro II até Belém (Japeri) e daí subiu a serra das Araras, alcançando Barra do Piraí em 1864. Daqui a linha seguiria para Minas Gerais, atingindo Juiz de Fora em 1875. A intenção era atingir o rio São Francisco e dali partir para Belém do Pará. Depois de passar a leste da futura Belo Horizonte, atingindo Pedro Leopoldo em 1895, os trilhos atingiram Pirapora, às margens do São Francisco, em 1910.
 A ponte ali construída foi pouco usada: a estação de Independência, aberta em 1922 do outro lado do rio, foi utilizada por pouco tempo. A própria linha do Centro acabou mudando de direção: entre 1914 e 1926, da estação de Corinto foi construído um ramal para Montes Claros que acabou se tornando o final da linha principal, fazendo com que o antigo trecho final se tornasse o ramal de Pirapora. Em 1948, a linha foi prolongada até Monte Azul, final da linha onde havia a ligação com a V. F. Leste Brasileiro que levava o trem até Salvador.
 Pela linha do Centro passavam os trens para São Paulo (até 1998) até Barra do Piraí, e para Belo Horizonte (até 1980) até Joaquim Murtinho, estações onde tomavam os respectivos ramais para essas cidades. Antes desta última, porém, havia mudança de bitola, de 1m60 para métrica, na estação de Conselheiro Lafayete. Na baixada fluminense andam até hoje os trens de subúrbio. Entre Japeri e Barra Mansa havia o "Barrinha", até 1996, e finalmente, entre Montes Claros e Monte Azul esses trens sobreviveram até 1996, restos do antigo trem que ia para a Bahia. Em resumo, a linha inteira ainda existe para trens cargueiros.

Victor Louzada
vhmlouzada@gmail.com

O GATO NÃO FAZ PARTE DO CARDÁPIO

O churrasquinho mais tradicional da região traz gente até da zona sul

Não é preciso recorrer a Suípa em busca de ajuda. Longe disso. No cardápio: carne bovina, carne de porco, queijo coalho e frango. Tudo armazenado cuidadosamento em embalagens a vácuo. Para quem acha que o churrasquinho vendido na esquina da rua Ramiro Magalhães com 2 de fevereiro, entre os bairros do Méier e do Engenho de Dentro, é um atentado a vida dos felinos, está enganado. O churrasquinho do Zequinha é famoso no bairro e atrai gente de todos as partes da cidade. Há mais de 15 anos em atividade, o comércio é ponto de encontro dos moradores da região. Zeca prima pela satisfação do cliente e garante a qualidade do produto. "Não abro mão. O meu fornecedor é o mesmo e a gente sempre usa o mesmo procedimento. Nós temos famílias inteiras que são nossos clientes. Imagine não atendê-los bem?", indaga o pequeno empresário.

 Zeca vende aproximadamente 200 espetinhos por dia.

José Fernandes, 52, popularmente conhecido como Zequinha, é cearense de Quixadá e montou o pequeno negócio graças a necessidade de se estabelecer em uma cidade grande. "No começo foi muito difícil. Muito duro. Eu não faturei nada. Foi um tremendo fracasso. Com o tempo as coisas mudaram e eu pude viver só disso", afirma o ambulante.

Zequinha não revela quanto fatura com a venda dos espetinhos, mas garante que leva uma vida confortável. Pai de três filhos, ele já colocou o mais velho na função. "O Jonas desde pequeno ficava aqui comigo. Não tínhamos com quem deixá-lo e o jeito era trazê-lo para cá", revela.

Há quinze anos no mesmo lugar, a barraca já virou ponto de encontro.

O churrasqueiro espera que o filho mantenha a tradição do espetinho no futuro, mesmo depois de ele se aposentar. Segundo Zeca, não só pelo alimento em si, mas por todas as amizades que foram construídas ao longo dos anos. "Nós temos amigos aqui há quinze anos. Nos acompanham desde o primeiro dia. Somos uma grande família". Engana-se, entretanto, quem pensa que o cearense não pensa no futuro do filho longe do negócio. Zequinha sonha alto e brinca com a possibilidade de novos investimentos. "Meu filho vai fazer faculdade e vai administrar isso melhor do que eu. Eu vou ficar na praia, enquanto ele toca a barraca", brinca. 

Alex Calheiros
alexcalheiross@gmail.com

ESTILO, PAIXÃO E DEDICAÇÃO EM SÃO FRANCISCO XAVIER...

   Barbeiro que trabalha em São Francisco Xavier tem muita história para contar

  O cabelo transmite uma personalidade: cabelo solto, aventureiro, cabelo curto, cabelo preso, cabelo arrepiado etc. Mas nem sempre se tem tempo de cuidar dele. O barbeiro pode fazer do cliente uma pessoa nova. “Não há mais razão para deixar de dar valor a essa parte tão importante de um homem,” afirma André Campos, barbeiro do bairro de São Francisco Xavier. O usuário pode mostrar rebeldia com estilos irreverentes ou comunicar a masculinidade de um corte mais simples. “Há a certeza de que, mesmo a vida não sendo fácil, vale o esforço, é importante seguir firme sustentando a família,” conclui André, que é casado e tem uma filha beirando os 40 anos.
   Certos clientes não prestam atenção aos comentários do barbeiro referentes à política, futebol etc. Sentam na cadeira, escutam apenas o som da tesoura e viajam nas próprias alucinações e preocupações. André Campos, 70 anos, trabalha na profissão desde os 12 anos de idade e conta em um tom de seriedade há quanto tempo trabalha no bairro e qual é o gênero de freguês cujo visual ele gosta de mudar. ‘’Trabalho há 38 anos no bairro de São Francisco Xavier e atendo mais o público masculino porque mexer nos cabelos das mulheres é complicado’’.  
   
    “Cada corte de cabelo tem uma história e um significado,” diz André. Por exemplo, o corte moicano é o estilo com o nome de uma tribo indígena. Muito antes da colonização inglesa, na América do Norte, eles se situavam onde é atualmente Nova York. O corte é raspado dos lados e uma banda larga e longa no meio da cabeça. Exige mais manutenção e trabalho para fazer a crista de cabelo em pé ou em formato de picos. Isso é histórico, todavia, estamos no século XXI e quem trouxe novamente esse estilo foi o ex-jogador do Santos, o Neymar. André comenta um dos cortes mais solicitados pelos frequentadores. ‘’As pessoas que cortam o cabelo comigo querem o mesmo estilo de cabelo do Neymar, que é o moicano.”

     Além do moicano, outros tipos de cortes mais solicitados pela clientela de André são aqueles denominados ‘New Orders’, que seguem os padrões de cabelos curtos e espetados. Eles podem ser notados na mídia. É possível ver os estilos ‘New Orders’ nos famosos como Yudi, Luan Santana, Fiuk e Gustavo Lima. Já na moda do exterior, é possível ver as tendências em Justin Bieber, Brad Pitt, Tom Cruise, entre outros. Ele aconselha que cada pessoa deve ter o seu próprio estilo, seja seguindo os cabelos masculinos da moda ou qualquer outro tipo de cabelo.   

     Situações engraçadas sempre acontecem em qualquer canto, principalmente em uma barbearia. Os envolvidos começam a conversar até chegar ao momento de dúvida sobre um determinado assunto. Quando um dos envolvidos na situação explica o motivo, um deles começa a rir do papelão que fez e o outro exibe uma expressão facial e um sorriso, como se avisasse: ‘’eu te disse’’. André conta um fato inusitado que aconteceu com ele. ‘’Houve um cliente que sentou na cadeira e eu perguntei qual era o corte que ele desejava. O freguês não soube explicar. Comecei a fazer o que ele pedia e descobri que era o corte ‘Asa Delta’. Ele respondeu que era esse mesmo e eu disse que já sabia’’.     
     
     Os meios de transporte não só no Rio de Janeiro, mas no Brasil de uma forma generalizada, deixam a desejar pelo péssimo serviço que prestam à população, além de cobrar altas tarifas. Mas quem não possui um veículo próprio para se deslocar tem que utilizar o transporte público. Mesmo com essa triste realidade, o barbeiro André tem que levantar cedo para chegar ao Salão na hora do expediente, pegar ônibus e trem para ir e vir. ‘’Moro em Duque de Caxias e, dependendo do fluxo do trânsito, pego somente o ônibus ou ônibus e o trem para retornar.”         

      A política, seja ela no Brasil ou no exterior, é assunto que está sempre em debate. Em qualquer canto os acontecimentos estão sendo comentados pelas pessoas. Assuntos quentes do momento que mexem com as opiniões divergentes da população. André Campos sempre consegue um jeito de acompanhar os fatos para ficar informado. Ele fala dos últimos acontecimentos que vêm ocorrendo no Brasil. ‘’As manifestações que estão acontecendo são fundamentais para melhorar o país.”

     O esporte também é outro assunto que sempre está na lista dos bate-papos da população. E quando o esporte mencionado é o futebol, os ânimos mudam porque cada pessoa tem no coração um determinado time. Não é sobre o campeonato brasileiro. O brasileirão está, por ora, parado porque estamos prestando atenção a outro tipo de competição: a Copa das Confederações, no Brasil. André Campos, que é torcedor do Botafogo, gosta do futebol e, de uma forma mais amena, relata o ponto de vista dele sobre os jogos da verde e amarela na Copa das Confederações de 2013 e menciona quem vai ser o campeão da Copa do Mundo de 2014. ‘’O Brasil tem tudo para fazer bonito nessa competição e na Copa do Mundo.” 

Pedro Serpa
pascastor@gmail.com 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

TRÂNSITO PESADO MUDA A ROTINA DE MORADORES

 São exatamente sete horas da manhã. Ana Lúcia, 32 anos já está atrasada e espera um ônibus na Avenida Marechal Rondon, principal via de saída para o Centro da cidade da zona norte. O engarrafamento mantém carros parados no mesmo local por mais de quinze minutos. “Eu já estou acostumada, mas isso precisa melhorar”, diz com ar de descrédito.

Ana Lúcia é só mais uma dos milhares de trabalhadores que dependem de condução todos os dias ao longo da Marechal Rondon. O caos no trânsito é um verdadeiro nó para quem precisa sair em direção ao Centro todos os dias. O fluxo de veículos que só aumenta faz ficar mais visível a ausência de transporte público. “Embora aqui passe ônibus para todo lugar, essa hora é muito difícil e ainda tem o engarrafamento”, afirma.

Os bairros  compreendidos no eixo Maracanã-Méier dependem mesmo da Avenida Marechal Rondon, ela é a saída para quem não tem o itinerário coberto pelos trens da Supervia. Segundo Márcio Amaral, agente da secretaria Municipal de Trânsito, neste momento todos os moradores terão de conviver com o caos “é um mal necessário, e vai durar pouco. As obras na região do Maracanã já estão acabando e todos vão perceber uma grande melhora ao fim delas”, afirma.

Não há, segundo informações da secretaria, nenhum projeto que transforme ou abra novas vias nesse eixo, nem a tão sonhada linha de metrô que ligue o Méier a Tijuca ou a outras estações de metrô. Para Márcio, o número de linhas de ônibus que atendem a região é satisfatório e para ele “contar com a opção dos trens também é um ganho muito grande”.

Sobre o trânsito, os moradores da região são categóricos: “Pela manhã e no final da tarde é impossível transitar tanto pela marechal Rondon, quanto pela Avenida 24 de Maio”, diz André Ribas, 27 anos. Para quem pode, a alternativa tem sido sair mais tarde de casa e chegar mais tarde também.

É o caso de Marina Oliveira, 42 anos. Ela acordou com a patroa um novo horário. “Eu saio de casa às nove da manhã, depois de levar meu filho na escola que é aqui perto. Não fico no trânsito e perco menos tempo”, comenta. Marina já ficou presa duas horas no trânsito entre o bairro do Riachuelo e Coapacabana.

A mudança de horário fez com que a empregada doméstica tivesse também um ganho considerável que a permitiu cuidar melhor de sua casa e fugir do trânsito. Abaixo listamos algumas dicas para você não se estressar no trânsito. A melhor opção é fugir dele.
 -Se puder acordar com o patrão, faça horários alternativos
-Prefira o transporte público, deixe o carro para o fim de semana
-Leve um player(celular, mp3, tablets e similares) para ouvir músicas
-Leia um livro
Diego Santos
diegsf@gmail.com

quarta-feira, 15 de maio de 2013

CINECLUBE | CONFLITO HOMEM VERSUS MÁQUINA É O PRÓXIMO TEMA EM DEBATE


A competição sobre quem rende melhor no ambiente de trabalho, se o homem ou se a máquina, é uma das questões em pauta na próxima edição do Cineclube CCAA. O drama do trabalhador Carlitos, personagem do imortal Charles Chaplin, é o filme em cartaz, “Tempos Modernos”, um clássico do cinema mundial, que mostra a desigual relação entre homens e máquinas. Fatores como salários, horas de trabalho e saúde estão em questão no filme, numa época em que começava o processo de automação da indústria, um contraponto com o tempo em que a força manual é que intermediava o processo. É justamente essa a visão que o filme ‘Tempos Modernos’ aponta, o conflito humanidade e máquina.
   ‘Tempos Modernos’ é um filme de comédia clássico de Hollywood, estrelado por Chaplin, que se passa justamente no período pós-crise de 1929, nos Estados Unidos. O enredo apresenta o vagabundo Carlitos, um funcionário de uma fábrica, que sofre horrores dentro do serviço. É demitido junto com os outros colegas de trabalho pelo fato de a fábrica e o país estar em crise. Conhece e acaba se encantando pela moradora de rua, interpretado por Paulette Goudard e, junto com ela, decide procurar dinheiro e felicidade em um país com problemas de finanças e trabalhos escassos. A diversão é garantida pelas trapalhadas que Carlitos faz e sofre.
   Em uma das passagens há uma linha de montagem e o personagem Carlitos, empregado da fábrica, trabalha junto com os outros funcionários e eles vão aparafusando e martelando várias peças quase que sem interrupção. Só descansam mesmo quando é a hora do almoço. Durante o processo de montagem o dono da fábrica, que representa a burguesia, pede para acelerar mais ainda as máquinas e, consequentemente, a velocidade de Carlitos e dos outros tem de acompanhar o ritmo imposto.
     Chaplin mostra a desvalorização do trabalho humano de forma tão divertida e marcante, que torna difícil não utilizar o senso crítico. Uma análise entre a época do filme e os tempos atuais demonstra que, em geral, empresas veem os funcionários como máquinas, cuja velocidade de trabalho podem manipular, ignorando o limite de cada um.
      Em outra passagem há uma cena que é atual: a miséria. A moradora de rua, Paulette Godard, rouba comida para sobreviver e mora com a família em um barraco. O pai, alcoólatra e desempregado, e as outras duas irmãs menores de idade. A mais velha consegue emprego de dançarina em um restaurante. Entretanto, é demitida pelo fato de a polícia considerá-la uma mulher sem emprego. Em todo o período da História sempre há aqueles que são mais abastados e outros nada têm.
     O ‘longa’ também aborda o controle que o patrão exerce sobre os funcionários da fábrica. Na cena onde Carlitos trabalha aparece algumas vezes o relógio de ponto, objeto que marca a entrada e saída dos empregados. É uma das maneiras de ter o controle sobre eles. Entretanto, passando algumas cenas depois, o proprietário aciona uma televisão e consegue ver tudo. Mais uma vez a tecnologia aparece, todavia, agora como poder de vigilância a todos e não como processo industrial.                                         
    No filme, podemos perceber também o movimento sindical do proletariado. Uma luta por melhorias nas condições de trabalho e salários. Começou nesse período uma luta de classes sociais e movimentos contrários ao pensamento capitalista. De um lado os patrões, representando a burguesia, e de outro o proletariado,que faz referência à população em geral. O ‘longa’ é uma metáfora daquela sociedade, a sociedade capitalista, e como seria, na visão de Chaplin, o século XXI.

CINEMA COM BATE PAPO É PROPOSTA DE CINECLUBE


 Cinema e clube. Duas palavras que unidas formam cineclube. O cineclube é uma forma de entretenimento e cultura gratuita que a Faculdade CCAA, em Riachuelo, oferece à comunidade de alunos e também aos moradores da região.
         Uma vez por mês, as apresentações do cineclube são boa opção de diversão à comunidade. A exibição de filmes acontece todo o primeiro sábado e logo depois os organizadores promovem um debate com pessoas convidadas especialmente para as sessões, ocasião que o expectador tem aquela deliciosa chance de comentar o filme, tirar dúvidas, falar sobre o que mais gostou. O debate após o filme é um jeito de aprofundar essa relação entre cultura e conhecimento, tão importante nos dias de hoje.
         O idealizador do cineclube é o ex-aluno da CCAA, Felipe Aveiro, 26 anos, que agora é produtor da Sexta Filmes. Apaixonado pela sétima arte, ele conta que o projeto foi colocado em prática no ano passado depois que ele conseguiu reunir os professores para um debate logo após a exibição de um filme. ”Aos poucos o projeto foi se tornando realidade”, diz.

        O cineclube funciona a partir de um filme selecionado pelos organizadores do evento e que possa gerar um debate, sempre com dois convidados, professores da casa ou não. A divulgação do evento é feita pelas redes sociais e agora o blog Nos Trilhos vai ajudar nessa divulgação. O público é sempre bem diversificado e é composto de alunos da instituição e de outras pessoas.
        Outra organizadora do Cineclube é Claudia Fonseca, que faz a maioria das mediações dos debates. Claudia conta que o cineclube já recebeu “pessoas ilustres”, que vieram prestigiar.  ‘’No primeiro cineclube trouxemos o jornalista Geneton Moraes Júnior e o produtor Jorge Mansur para falar do documentário ‘Joel Silveira’, que eles produziram’’.

         A Faculdade CCAA é referência cultural no bairro do Riachuelo. A participação dos alunos e professores é sempre muito boa e quem assiste a uma sessão, sempre quer voltar nas outras.
          Agora, os organizadores estão tentando fortalecer a idéia do cineclube, por isso para atrair mais gente, estão criando promoções como sortear ingressos de cinema, livros, revistas e DVDs dos filmes que são exibidos.