No eixo Maracanã, Méier surge a campeã de Pole dance do Brasil
Ela nasceu no dia 12 de Agosto em 1991 e hoje é a mais nova
campeã de Pole Dance do Brasil. Dona de uma cinturinha fina e um abdome de dar
inveja a muitos halterofilistas, essa leonina morou por muito tempo em
Jacarepaguá, mas frequentou o bairro do Méier por causa da avó materna.
No meio desse caminho, entre o Méier e a Freguesia, em
Jacarepaguá, já com 18 anos, em um teste de dança, conheceu Flávia Rodrigues,
proprietária do Estúdio de Pole Dance que acabara de ser inaugurado no bairro
onde mora a avó. “Deus colocou no meu caminho mais um presente ligado a minha
arte. Hoje a Flávia é minha treinadora e grande amiga”.
Na primeira aula, a professora disse que a espevitada menina,
que começou a dançar ballet ainda aos 3 anos, o quanto ela era forte. Após
cinco meses, já estava participando do primeiro campeonato brasileiro, na
categoria amadora, é claro. “Fiquei em segundo lugar. Me lembro desse dia como se fosse ontem. Foi uma
conquista maravilhosa!” Assim que cresceu um pouquinho, foi fazer Jazz e, aos 10
anos, era uma apaixonada pela dança e aos 13 dançava todos os dias Ballet
Clássico e dança Contemporânea. “Quando se é criancinha, não há um diferencial
na aula, mas, a partir de certa idade, sim.”
Não haviam sextas-feiras na casa de amigas, o que, às vezes,
era chato, cansativo, mas ela nunca imaginava viver sem toda essa correria. Os
sábados de ensaio eram dias exaustivos, mas quando a dançarina se deu conta,
estava há dezoito anos em uma mesma escola de dança. “Foi assim a infância e a adolescência
toda, eu tinha ensaios e responsabilidades e ainda era muito agitada!” Essa
longa estrada de aprendizado transformou a aluna em professora. “Dei minhas
primeiras aulas de Baby Class, para meninas que entraram com a mesma idade que
eu e, depois disso, meu amor pela dança foi somado ao meu amor à dança...”
Foto
do arquivo da perfilada
Maria Eduarda Vieira Aurélio adora a liderança, o brilho, a exposição,
além de se dizer também sensível e necessitada de carinho. “Até a falta de um
"bom dia" pode me deixar para baixo”. Adora a cor azul e mede 1,58cm.
“Sou uma baixinha muito brava e atrevida”. A filha caçula de Denise Rodrigues
Vieira e Hamilton Aurélio estudou no Maternal Tagarela, depois cursou o
primário até a terceira série no colégio Primus, ambos na
Freguesia/Jacarepaguá. A quarta série, o ginásio e os dois primeiros anos do
segundo grau, fez na escola Luiz de Camões, de onde saiu para finalizar o
terceiro ano no Intellectus.
Foto
de arquivo da Fatale
Na época do vestibular, Denise, mãe de Eduarda, se preocupou
um pouco mais ao ver a dedicação da filha, que sempre foi maior com o trabalho,
às aulas de ballet e à dança. “Ela queria que eu focasse mais com a prova dessa
vez”. Mas isso não aconteceu. Pelo contrário. Com 17 anos, Maria Eduarda passou
a ser chamada de Duda. Ela começou a fazer shows, um novo lado da dança que não
conhecia, e ficou encantada. “Eu consegui levar tudo numa boa”. Duda passou
para Educação Física na UERJ e ainda se apresentou no espetáculo de fim de ano
da antiga academia, a Rhitmus.
Duda era ativa, parecia estar ligada em 220 volts. Fazia
shows no fim de semana com um grupo só de cantoras, as Dolls, como eram
conhecidas. A dançarina dava aulas de ballet para crianças, cursava a faculdade
e enveredava pelos campeonatos de Pole dance - uma atividade que luta com auxílio
dos estudantes de Educação Física na tentativa de se tornar então uma
modalidade esportiva. Existem campeonatos em todos estados brasileiros e
apresentações, mas ainda é tudo muito novo, e seus praticantes estão formulando
as regras para que, desta forma, essa atividade se transforme em Esporte Olímpico.
Duda era realmente muito aplicada e por isso recebia muitos
convites inusitados. E assim, como num passe de mágica, a vida outra vez tornou
a lhe surpreender. A dançarina em 2011, de uma hora para outra, passou a fazer
shows com o cantor Daddy kall, que estourou com a versão kuduro em uma novela
da Rede Globo. “Foi um ano incrível, apresentações ao lado de Daddy, a dança, o
Pole dance, tudo parecia não ter fim! “Adoro as novidades e surpresinhas que a
vida me aponta, eu adoraria ver mais pessoas fazendo pole dance, pois este é
uma atividade voltada não só para atletas. Qualquer um pode participar mulheres
e homens de todas as idades. Inclusive: gordinhas e gordinhos, que é a duvida
maior, mas é claro precisam respeitar seus limites”! No fim de 2012, depois de
um ano, os shows acabaram e a menina voltou para faculdade.
Foto: João Carlos
Os tempos agora eram outros. Duda era muita ativa e, com o
fim dos shows, retornou para as aulas de pole dance com Flávia, a proprietária
do Studio Pole dance no Méier. No ano de 2011, acabou concorrendo pela academia
no World
Cup of Pole Dance, o campeonato dos apaixonados pela atividade do Pole
dance e foi consagrada como Campeã Brasileira. O título obrigou a competidora a
mudar seu nome, pois já existia outra ‘Duda’ na competição. Se fosse pela
vontade da mãe dela, seria Duh Vieira, mas a professora interveio e, ao pé do
ouvido, disse ser melhor Dudinha. “Meus paizinhos sempre me apoiaram e me
chamam de Duh desde pequena, mas esse não era o maior dos meus problemas. Difícil
foi contornar os ciúmes e o preconceito do meu namorado”.
Foto
de Denise Vieira
Não eram somente os pais de Dudinha que tinham formas carinhosas
de chamar a filha caçula. Ela contou que teve três namorados e, um deles, cujo
nome não quis revelar, copiava a forma que os familiares a tratavam. Dudinha
disse que começou namorar aos 15 anos e só teve ótimos companheiros. Todos em
cada fase da vida dela foram muito amigos e compreensivos com seu trabalho. “Acho
que o último foi o mais enciumado, (risos), até consigo entende-lo
perfeitamente! Sei que estou em exposição, o palco e as pessoas em volta
assustam um pouco, mas o que sempre disse e repito é que minha postura e
conduta são corretas, não precisa de ciúmes...”
Denise disse que os caminhos foram se diversificando para a
filha, coniventes com suas vontades tão ecléticas. “Dudinha é uma artista que
fala com o corpo. Não bastasse dançar, resolveu aprimorar-se na arte de
enroscar-se em bastões.” O
irmão Lucas fica bobo de ver a força que é preciso ter. “Quando fazíamos
capoeira, ela não plantava bananeiras por causa da força que era preciso fazer,
agora se pendura de cabeça para baixo, ela é muito louca e linda!”. Dudinha foi
convidada para desfilar no carnaval de 2013, na escola Império Serrano, no
carro abre alas, por tamanha ousadia nas alturas por um amigo da família. “A escola ficou em quarto se eu não me
engano. Fiquei apaixonada por desfilar!”
Foto
arquivo do jornal Extra
E mais uma magia surge na vida da dançarina, professora e
carnavalesca Dudinha. Desta vez, foi chamada para fazer uma maratona de shows
no Barra Music, com o cantor Naldo. “Mal sabia que eu viraria parte do show e
seria bailarina dele”. Foi no fim de outubro que tudo começou, diferente de
tudo que ela já havia feito: shows e mais shows, palcos em todos os lugares do
Brasil, pessoas diferentes, carinhos, uma energia incrível. “Entramos em turnê e
desde março viajamos praticamente o mês todo. Tem sido cansativo e ao mesmo
tempo único”.
Foto
de Denise Vieira
Hoje, Dudinha trancou a faculdade e não tem competido no pole
dance. “Com a turnê, realmente não pude continuar a frequentar nem mesmo dar as
aulas. Mas isso é momentâneo. E eu escolhi viver isso. Bate muita saudade, mas
vale a pena.” Ela ama muito o trabalho, todos eles, e reconhece o sacrifício
que precisa fazer. “Nunca comi bem, minha mãe diz que Deus é muito bom comigo,
pois tenho uma resistência de ferro. Viajo, ensaio, ensaio novamente e mais
outra vez e sempre com uma alimentação péssima(risos)!”. Ela participou de dois campeonatos de Pole depois do primeiro,
em 2011 e 2012, mas neste último teve uma ‘queda’ e foi ‘desclassificada’. “No
dia do campeonato eu estava muitíssimo abalada e, por vários motivos pessoais, deixei
minha energia acabar”.
Denise brinca e diz que agora a dança levou a filha para as estradas, para os ares e
por onde houver caminhos. “É certo que meu coração se desassossega a cada
partida, mas quando vejo o quanto é vital pra ela estar num palco, se
comunicando por meio do que mais ama fazer. Eu me recolho à humilde posição de
espectadora e mãe”. Já o pai não brinca e tem receios atrelados ao zelo e
sempre manda mensagens via celular. “Num país como o nosso, em que a cultura e
a arte são desvalorizadíssimos, viver de dança é um tanto utópico. São
pouquíssimos os profissionais que conseguem sobreviver de forma digna e segura
e eu torço do fundo do meu coração que minha Maria Eduarda seja um deles”.
Na visão da mãe, Eduarda tinha que ser Maria. “Um pouco de
santidade não lhe faria mal”. A menina era danada já dentro da barriga. “Aos
cinco meses de gestação, ela já estava mais do que aflita para descer, ou
melhor, subir ao palco da vida”. Dudinha era elétrica, incansável e muito
exibida, na visão de seu pai. “Ela era impossível! Ficava difícil aplacar tanta
energia e excesso de vitalidade diante de seus largos sorrisos”. Ainda no
maternal, a mãe dela foi chamada à escola várias vezes. A psicóloga e a
diretora solicitaram sua ajuda e pediram-lhe que colocassem a menina numa atividade
física qualquer, pois não havia o que a saciasse. “Minha filha não se
concentrava, nem deixava os colegas resolverem suas questões sem seus palpites,
opinava sobre o que era e o que não estava na alçada dela, enfim: ela cansava a
beleza de todos!”
Dudinha demonstra durante toda entrevista, várias expressões
no rosto de pura emoção. “Não passo um dia sem fazer o que mais amo. Como dizem
lá em casa, eu já queria e seria alguém muito, extremamente agitada, quiçá
famosa. Sei que esses shows que estão acontecendo agora podem passar rápido, eu
tenho a cabeça no lugar, mas estou vivendo intensamente e aproveitando cada
momento”. Dudinha garante que ainda dá muitas
pitacas na vida dos que ama e manda um recado para os colegas de faculdade. “Quando
eu retomar à faculdade, terei muita aventura para falar, contar, enfim: vou
cansar a beleza dos que amo!” A dançarina, campeã de Pole Dance, aluna e
professora de ballet, amiga e filha, garante que a diretora e a psicopedagoga
tinham razão e agradece muito a intervenção delas junto à mãe. “Dançando estou
em plena atividade – em movimento total”. Na visão da professora de dança Flávia,
das colegas de palco, dos cantores Daddy kall e Naldo e de suas pequeninas
alunas, quando Dudinha Vieira está em plena atividade, quem deveria agradecer mesmo
era a dança.
Foto
de Denise Vieira
Marcelo Zaly
mzaly3@gmail.com













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