quarta-feira, 26 de junho de 2013

O "MARACA" É NOVO E O TORCEDOR TAMBÉM

Arrumado, sofisticado e não menos majestoso, o estádio Mário Filho muda os ares. 
O torcedor do radinho dá vez à turma do Ipod

O novo Maracanã tem cara de casa de show

Garrincha, Zico, Roberto Dinamite, Romário, Bebeto... A lista é gigantesca e não para por aí. Craques do passado e do presente desfilaram e continuarão desfilando suas habilidades em um dos maiores templos do futebol. O estádio que já foi o maior do mundo e recebeu mais de 200 mil pessoas em um jogo virou arena. As arquibancadas de concreto foram substituídas por confortáveis cadeiras numeradas. O charme deu lugar a tecnologia e uma nova forma de torcer deixou os "geraldinos" para o passado. O Maracanã foi ao salão de beleza e voltou de lá com outros ares. Rejuvenescido, moderno e seletivo. O Maraca é nosso! Será?

 

Caras novas: não se fazem mais torcedores como antigamente.


Depois de dois anos  e oito meses de obra e de gastos altíssimos, o novo templo do futebol reabriu distante do seu maior amigo: o torcedor. O estádio foi todo modificado internamente e suas entradas foram divididas em quatro setores: Norte, Sul, Leste e Oeste. Mas as mudanças não ficaram só por aí. Aquelas figuras tradicionais que frequentavam a arquibancada e a geral ficaram de fora. A promessa é de que as torcidas organizadas também sofram com a mesma mudança. "Nem ficar em pé pode mais. O torcedor brasileiro não é como o europeu. Até os instrumentos musicais foram proibidos", revela Felipe Morete, vascaíno e vizinho do estádio.

Entre os muitos torcedores que chegavam ao Marcanã no último jogo pela Copa das Confederações, um grupo de amigos se destacava pela cantoria. Com camisas dos principais clubes do Rio, eles "destoavam" da maioria. O que seria comum nos grandes clássicos passou a ser percebido diferente. "Não se trata de ser saudosista, mas o Maracanã parece um teatro. Se calhar, nem xingar mais o juíz será permitido", brinca Morete, analista de sistemas.
No grupo, outros compartilhavam da mesma opinião. Segundo eles há uma grande diferença cultural entre o brasileiro e os outros torcedores pelo mundo. Para eles o futebol aqui é compreendido de uma forma diferente. A rivalidade é muito maior. "Eu imagino um jogo entre Vasco e Flamengo em uma final de campeonato. Se o juíz marcar um pênalti aos 45 do segundo tempo para um dos times, a torcida adversária invade o campo. Com certeza", profetiza Fernando Medina, gerente de RH.



A preocupação não fica só no novo novo comportamento. O preço do ingresso também provoca desconfiança. "a gente sabe que o valor para a Copa das Confederações e para a Copa do Mundo são outros, mas para segurar toda essa estrutura, eles vão aumentar a entrada. Vir ao estádio vai ser programa da elite", afirma Leonardo Moraes, publicitário. "Eu só estou aqui porque ganhei a entrada, caso contrário", finaliza. Só o tempo dirá.




O povão com os dias contados. 
Torcedores temem mudanças pela mudança de padrão do estádio.


Alex Calheiros
alexcalheiross@gmail.com

0 comentários:

Postar um comentário