A competição sobre quem rende melhor no ambiente de trabalho, se o homem ou se a máquina, é uma das questões em pauta na próxima edição do Cineclube CCAA. O drama do trabalhador Carlitos, personagem do imortal Charles Chaplin, é o filme em cartaz, “Tempos Modernos”, um clássico do cinema mundial, que mostra a desigual relação entre homens e máquinas. Fatores como salários, horas de trabalho e saúde estão em questão no filme, numa época em que começava o processo de automação da indústria, um contraponto com o tempo em que a força manual é que intermediava o processo. É justamente essa a visão que o filme ‘Tempos Modernos’ aponta, o conflito humanidade e máquina.
‘Tempos Modernos’ é um filme de comédia clássico de Hollywood, estrelado por Chaplin, que se passa justamente no período pós-crise de 1929, nos Estados Unidos. O enredo apresenta o vagabundo Carlitos, um funcionário de uma fábrica, que sofre horrores dentro do serviço. É demitido junto com os outros colegas de trabalho pelo fato de a fábrica e o país estar em crise. Conhece e acaba se encantando pela moradora de rua, interpretado por Paulette Goudard e, junto com ela, decide procurar dinheiro e felicidade em um país com problemas de finanças e trabalhos escassos. A diversão é garantida pelas trapalhadas que Carlitos faz e sofre.
Em uma das passagens há uma linha de montagem e o personagem Carlitos, empregado da fábrica, trabalha junto com os outros funcionários e eles vão aparafusando e martelando várias peças quase que sem interrupção. Só descansam mesmo quando é a hora do almoço. Durante o processo de montagem o dono da fábrica, que representa a burguesia, pede para acelerar mais ainda as máquinas e, consequentemente, a velocidade de Carlitos e dos outros tem de acompanhar o ritmo imposto.
Chaplin mostra a desvalorização do trabalho humano de forma tão divertida e marcante, que torna difícil não utilizar o senso crítico. Uma análise entre a época do filme e os tempos atuais demonstra que, em geral, empresas veem os funcionários como máquinas, cuja velocidade de trabalho podem manipular, ignorando o limite de cada um.
Em outra passagem há uma cena que é atual: a miséria. A moradora de rua, Paulette Godard, rouba comida para sobreviver e mora com a família em um barraco. O pai, alcoólatra e desempregado, e as outras duas irmãs menores de idade. A mais velha consegue emprego de dançarina em um restaurante. Entretanto, é demitida pelo fato de a polícia considerá-la uma mulher sem emprego. Em todo o período da História sempre há aqueles que são mais abastados e outros nada têm.
O ‘longa’ também aborda o controle que o patrão exerce sobre os funcionários da fábrica. Na cena onde Carlitos trabalha aparece algumas vezes o relógio de ponto, objeto que marca a entrada e saída dos empregados. É uma das maneiras de ter o controle sobre eles. Entretanto, passando algumas cenas depois, o proprietário aciona uma televisão e consegue ver tudo. Mais uma vez a tecnologia aparece, todavia, agora como poder de vigilância a todos e não como processo industrial.
No filme, podemos perceber também o movimento sindical do proletariado. Uma luta por melhorias nas condições de trabalho e salários. Começou nesse período uma luta de classes sociais e movimentos contrários ao pensamento capitalista. De um lado os patrões, representando a burguesia, e de outro o proletariado,que faz referência à população em geral. O ‘longa’ é uma metáfora daquela sociedade, a sociedade capitalista, e como seria, na visão de Chaplin, o século XXI.






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