Canja de galinha não faz mal a ninguém. Muito menos o som distorcido que vem de Engenho de Dentro. Comandado por Paulinho “Coruja”, a banda Diabo Verde lança seu primeiro CD, intitulado “Sincericídio” e promete desentupir os ouvidos dos desavisados. Sem essa de novos rótulos ou misturas de gêneros, o grupo toca o mais puro e genuíno hardcore. Apesar de esse ritmo ter sua origem nos primórdios dos anos 70 e na efervescência da segunda aparição do movimento punk, foi só no fim da década que, por meio de uma série de bandas, principalmente do sul da Califórnia e formada por adolescentes suburbanos, o hardcore deu as caras por aqui.
Quem não ouvir agora ouve também em Realengo, no Méier, Piedade e adjacências. Quem garante é “Coruja”. Para ele não só a música, mas todas as outras expressões artísticas reverberam pelos trilhos. “Vai pela linha férrea. Porque de diferente o Rio tem a zona sul e a Barra da Tijuca. O resto é tudo subúrbio”, brinca o guitarrista, vocalista e líder da banda. Segundo ele, a força da cena “rocker” carioca está nesses bairros exatamente pela falta de opções. “O subúrbio é um dos berços culturais mais importantes da cidade. Ele produz seus artistas, meios e admiradores. Fonte inesgotável de inspiração”, completa.
Inspirados pelo cotidiano de um cidadão comum suburbano, as letras do Diabo Verde, ex-Rabugentos, falam das dúvidas, das indignações, dos amores e de todas as inquietudes do ser humano pós-moderno. O CD traz oito faixas gravadas no estúdio Superfuzz pelo selo Mata Leão Discos. Produzido por Elton Bozza, “Sincericídio” conta ainda com a participação especial do guitarrista Renato Rocha do Detonautas, na música “O que realmente importa”. A banda se apresenta sexta, 19 de abril, no Planet Music em Cascadura, dia 18 de maio, no Rock Beer em Araruama e dia 13 de julho, no Espinha Underground, em São Pedro D´Aldeia, região dos lagos.
BATE PAPO
• Onde ouvir música no teu bairro?
Em casa. Não há uma única casa de shows no bairro e o Imperator, que fica no Méier, ao que parece, não decolou.
• O melhor "point"?
A barraca de churrasquinho do Zequinha, na Rua Ramiro Magalhães quase esquina com a Rua 2 de Fevereiro. Campeoníssimo!
• Cartão-postal do bairro?
A pista de Skate que fica embaixo do viaduto da Linha Amarela na Rua Goiás.
• Programa de índio?
O carnaval na Chave de Ouro, no cruzamento das ruas Adolfo Bergamine e Dias da Cruz. FUJAM PARA AS MONTANHAS!!!
• Quem você expulsaria do bairro?
As igrejas evangélicas que acham que a sua fé é a única solução para tudo e também acreditam que Deus é surdo, porque como cantam alto!
• Programa do fim de semana?
Rolézinho de skate na pista debaixo da linha amarela com meus filhos e minha esposa.
• Nota dez para?
A tranquilidade do bairro. Ponto para o 3ºBPM.
• Nota zero para?
A falta de educação das pessoas que jogam lixo no chão acreditando que estão mantendo o emprego do Gari. Seguindo essa lógica esdrúxula, que morram logo pra manter o emprego do coveiro.
• O que falta no Engenho de Dentro?
Uma casa de shows / bar de rock. O Rio de Janeiro não é só funk e samba.
Alex Calheiros,
alexcalheiross@gmail.com






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