quarta-feira, 15 de maio de 2013

PACIFICAÇÃO TRANQUILIZA MORADORES DA ZONA NORTE


Uma leve sensação de segurança traz paz aos moradores do Riachuelo e redondezas. A região que sempre foi muito conhecida por assaltos, hoje em dia, tem vivido um certo conforto. O motivo dessa proeza seria a pacificação do Morro do São João, localizado no Engenho Novo. A comunidade ganhou a unidade pacificadora em janeiro de 2011, e de lá pra cá, a população tem notado certa tranquilidade pelas ruas.

“O bairro era muito perigoso. Andar a noite por aqui era impossível. Os tiros eram constantes", diz Amarilda Santos, moradora do bairro. De acordo André Ferraz, coordenador regional da XIII Região Administrativa, responsável pelos bairros do grande Méier, a região apresentou melhora relevante em relação os anos de 2011 para o ano passado. “Sabemos que ainda há certos pontos precários, mas o índice de assalto diminuiu. Estamos com mais policiamento nas ruas e agora temos iluminação onde faltava”, afirmou.
Um dos lugares preferidos dos assaltantes era a Avenida Vinte e Quatro de Maio. A via que beira a linha do trem fica deserta ao anoitecer e muitos ataques aconteciam ali. “Moro bem em frente à estação do Sampaio e durante muito tempo presenciei cenas de assalto por aqui. A insegurança era grande”, conta Sonia Lúcia, 42 anos. A pacificação além de trazer de volta a dignidade da favela em si, traz também para o bairro como um todo, um certo alivio por saber que criminosos não vivem mais na região.

Morador do Riachuelo há 67 anos, Sr Joacir Talhardo, 74 anos, diz que já viu muita coisa acontecer ao redor do bairro e acredita que a pacificação trouxe um bem que as gerações mais novas ainda não haviam visto. "Pensei em me mudar várias vezes daqui e hoje em dia isso não passa mais pela minha cabeça. Minha neta não vai ver o que eu vi e nem ouvir os tiros que já pude ouvir daqui.
Mas o assunto segurança gera polêmica no bairro. Há quem diga que nada mudou e que não sente na prática, pelo menos ainda, o benefício da UPP. "Pra mim não houve melhora nenhuma. Continuo com medo de ser assaltada", conta Joana Santos, 32 anos, que trabalha no bairro. A avenida Marechal Rondon, principal via que corta o bairro, costuma ser palco de muitos delitos. Foi nesta avenida que a Joana foi assaltada duas vezes. "As pessoas andam por aqui inseguras. Ônibus vazio me dá medo. Já presenciei diversos assaltos também", completa.

Um comerciante que não quis se identificar diz que houve progresso na segurança sim, porém ainda se preocupa quando anda nas ruas. "Assalto a pedestre sempre foi muito comum. Ando na rua sempre prestando muita atenção", dispara. A polícia confirma que sempre houve um número alto de assalto a pedestres. Bandidos de bicicletas e motos, costumam passar, mirar suas vítimas e vir em alta velocidade, levando principalmente celulares de pedestres.
Segundo a 25ª Delegacia que rege o local, viaturas fazem ronda constantemente pelas ruas dos bairros e há pontos fixos onde se pode ver policiamento, estrategicamente pensados pelos policiais. "Isto intimida muito a presença de bandidos. O fato da policia estar por perto, inibe a ação de qualquer crime. A comunidade agora está sob nossa proteção", comenta o delegado.

A favela do São João tem uma área muito grande e faz ligação com o Morro dos Macacos, em Vila Isabel, outra comunidade que também já conta com uma UPP. Bandidos costumavam agir pelas principais vias da localidade e se refugiar nesse morros, onde o acesso de uma comunidade para outra, ocorria de forma rápida e fácil, visto que as favelas têm muitas entradas.
“A tendência é melhorar cada vez mais. As favelas da grande Tijuca estão todas pacificadas. Tivemos à pouco tempo o ganho de mais uma unidade no Jacarezinho. Isso tudo refletirá nos nossos bairros. O cerco se fechou. Teremos uma grande área da zona norte mais segura 'nas mãos' da polícia”, revela.


Vinye Novaes
vinye9@hotmail.com

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